Inverno para dois

“ Agora eu e ela passamos todos os dias juntos, mas as nossas noites passamos separados e sozinhos. Os médicos dizem que não tenho autorização para vê-la depois que o sol se põe. Eu entendo perfeitamente as razões, e embora concorde com elas, às vezes, desrespeito as regras. Na calada da noite, saio escondido do quarto e vou sorrateiramente até o dela para vê-la dormindo. Ela não sabe disso. Entro e fico observando-a respirar, e sei que se não tivesse sido por ela eu jamais teria me casado. E quando olho para o rosto dela, um rosto que eu conheço melhor que o meu próprio, sei que para ela fui igualmente ou até mais importante. E isso significa mais para mim do que eu seria capaz da explicar.

Às vezes, quando estou ali em pé no quarto dela, penso no quanto tive sorte por ter passado quase 49 anos casado com ela. Quase meio século, no próximo mês. Ela me ouviu roncar durante os primeiros 45, mas desde então passamos a dormir em quartos separados. Sem ela não durmo bem. Eu me mexo e reviro e anseio pelo calor dela e fico deitado de olhos arregalados a maior parte da noite, observando as sombras que dançam no teto feito arbustos espinhentos rolando através do deserto. Com sorte consigo dormir umas duas horas, e, ainda hoje, acordo antes do alvorecer. Isso não faz sentido para mim.”

 

Diário de uma paixão – Nicholas Sparks

 

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